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Depravação, religião e salvação

O escritor inglês Evelyn Waugh (1903-1966) era conhecido como um tipo muito difícil. Era irascível, beberrão, intolerante com os próprios filhos e assumidamente esnobe. Certa feita uma amiga lhe perguntou como ele conseguia conciliar tanta maldade com sua professada fé religiosa. Ele respondeu dizendo que a amiga não tinha idéia de quão detestável ele seria se não fosse católico. Disse que sem a ajuda sobrenatural, ele nem sequer seria humano.

Essa confissão do escritor inglês ilustra bem o estado de depravação total do ser humano. Quando nos avaliamos ou fazemos isso com as pessoas, podemos encontrar uma classificação elevada para as reputações. Mas quando avaliados à luz do que Deus diz sobre nós, a situação é outra. A doutrina bíblica da depravação não tem tanto a ver com a conduta das pessoas, mas com o estado delas; nem tanto com o seu comportamento, mas com suas condições diante de Deus. Lemos em Gálatas 3.22 que “a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado”. Não somos pecadores porque pecamos, pecamos porque somos pecadores. Podemos não ser tão maus quanto poderíamos ser, mas estamos na pior situação possível. A queda espiritual e moral de Adão foi total. Quando pecou, ele se tornou completamente depravado. E por estarmos nele embrionariamente (Rm 5.12), todos nós somos também depravados pecadores. Mesmo que isso não se manifeste aparentemente em ações, o somos por natureza, o que diante de Deus dá na mesma. A Bíblia diz que o nosso coração é “desesperadamente corrupto” (Jr 17.9 - RA).

O que é a religião, senão o esforço humano de chegar a Deus pelos esforços ou méritos próprios!? É muito bom fazer boas obras, ajudar os necessitados, praticar filantropia, sacrificar-se em favor dos outros, mas isso não tem valor redentor diante de Deus. A Bíblia diz que somos salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de nós, é dom de Deus; não é por obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8-9). Somos salvos “para fazermos boas obras” (Ef 2.10), mas as boas obras não nos salvam da depravação do pecado. As boas obras têm efeitos sociais positivos e são autogratificantes, mas não podem pagar o incalculável preço da salvação do depravado pecador diante de Deus. A mensagem da Bíblia é muito clara: “Homem algum pode redimir seu irmão ou pagar a Deus o preço de sua vida, pois o resgate de uma vida não tem preço. Não há pagamento que o livre para que viva para sempre e não sofra decomposição” (Sl 49.7-9). Foi para uma autoridade judaica, uma das pessoas mais religiosas que Jesus disse: “Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (Jo 3.3). É necessário que todos nasçam de novo (Jo 3.7). Cornélio era piedoso e temente a Deus; dava esmolas ao povo e orava continuamente a Deus. Mas ele precisou ouvir e crer na mensagem da salvação (At 10.1-2; 11. 14). Quando Paulo conheceu a Cristo pela fé, ele considerou sua religião como esterco (Fp 3.1-11). Religião não basta. Precisamos de algo mais.

Por que Jesus, o Filho eterno de Deus se tornou homem e veio a este mundo? Ele mesmo responde essa pergunta: “Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento. O Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 5.32; 19.10). A solução para nossa situação humana de depravação diante de Deus, não é religião, mas a salvação pela fé em Cristo. Mais uma vez digo que quando falo em religião, estou me referindo ao esforço humano de querer conquistar o perdão de Deus por meio de ritos, crendices, rituais, cerimoniais, liturgias e coisas do gênero. Nossa situação era tão degradante que não havia outro meio. A Bíblia diz que Deus olhou dos céus para os homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento, alguém que buscasse a Deus. Mas não viu ninguém, pois todos se desviaram, igualmente se corromperam; não havia ninguém que fizesse o bem, nenhuma sequer (Sl 14.2-3). Quando Jesus veio ao mundo, nos encontrou tais quais ovelhas desviadas, cada uma voltada para o seu próprio caminho (Is 53.6). Portanto, somente Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega a Deus o Pai, a não ser por ele (Jo 14.6). Debaixo do céu não há salvação em nenhum outro nome a não ser o nome de Jesus (At 4.12). Ele e somente ele, é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Se alguém entregar sua vida a Cristo, se torna uma nova criação nas mãos de Deus. As coisas antigas passam; surgem coisas novas! (2 Co 5.17). Ele morreu na cruz exatamente por isso. Porque nada poderia nos redimir; nem ouro nem prata, apenas seu sangue precioso (1 Pe 1.18-20). Por isso, se alguém ouvir a voz de Jesus e abrir a porta do seu coração para ele, vai experimentar a festa da vida e promoverá festa no céu (Lc 15.7; Ap 3.20).

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